Esta edição nasce do corpo: esse que não se encaixa, não se cala e não pede licença para existir. A Defiças segue desviando, como sempre, porque desvio é verbo, é método e é sobrevivência. Reunimos aqui vozes que criam mundos possíveis: cineastas que fazem do desejo um grito político, artistas que transformam muletas, próteses e silêncios em linguagem, escritoras que escrevem entre colapsos e florescimentos. Cada texto, imagem e pausa é uma forma de dizer: nós estamos aqui — inteiros, indisciplinados, plurais. Ser defiça é saber que o corpo é território de invenção e recusar o olhar que nos mede. Respondemos com arte, com raiva, com beleza e rimos na cara do capacitismo. Nesta segunda edição, seguimos afirmando o óbvio que o mundo insiste em negar: nossos corpos são políticos, nossos desejos são legítimos, nossa existência é arte. Seja bem-vinde ao desvio: aqui, a norma é o estranhamento, e o erro é só o começo da criação.
Com raiva, amor e rebarbas Ana do Vale, gestora da Revista Defiças.
Fotos do artista: https://www.instagram.com/afrodeficiente/