Eu, Prisca Rosa, inicio esta carta ao leitor com alguns dados impossíveis de serem ignorados: segundo o IBGE (Censo 2022), cerca de 8,1% das mulheres no Brasil possuem algum tipo de deficiência — o que representa aproximadamente 8,3 milhões de brasileiras. Diante desse número expressivo, surge um questionamento inevitável: onde estão essas mulheres nas produções artísticas, nos espaços de trabalho, nas produções acadêmicas, entre outros? Que direitos, de fato, temos assegurados, se ainda figuramos entre os grupos mais vulneráveis à violência, principalmente, a sexual? Eu lhes pergunto, caros, caras e cares leitores: o seu feminismo nos inclui ou, mais uma vez, invisibiliza as mulheres com deficiência? É a partir dessas reflexões que nasce a terceira edição da Revista Defiças. Nesta edição, celebramos e também problematizamos o Dia da Mulher, com um olhar especial para as mulheres com deficiência. Por meio de produções como a carta/ensaio Carta de uma mulher com deficiência ao país que não sabe nos ouvir, de Amanda Soares, e das obras da artista Silvia Wolff, revisitamos trajetórias, reivindicamos espaços e afirmamos: o lugar da mulher com deficiência é onde ela quiser — e, sobretudo, nas artes.